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Até Sempre Ribas

por Maria, quem és tu?, em 24.03.14

Lembro-me bem da primeira vez que ouvi Tara Perdida. Tinha uns quinze, dezasseis anos e eu e mais duas amigas fomos até à Semana Académica de Lisboa. Iamos ver Xutos e Pontapés claro, nem sequer sabíamos quem eram uns tais de Tara Perdida que vinham no folheto da Semana Académica. Quando subiram ao palco foi uma espécie de amor à primeira vista, pelo menos para mim. E não foi preciso tocarem mais de uma música para eu perceber isso. Soube naquele momento que tinha ali um amor fiel para a vida. No dia a seguir já estava eu na Fnac à procura dos cds deles. Comecei por descobrir a Nasci Hoje, a Desalinhado, a Quanto Mais Eu Grito, a Feia e sinceramente não me lembro de nenhuma banda que me tenha dado tanto prazer descobrir como os Tara Perdida. Lembro-me de conseguir pôr uma turma inteira a falar e a ouvir Tara Perdida. Lembro-me de numa aula de Português apresentar um trabalho e vá-se lá saber como apresentar também uma música dos Tara Perdida, que para mim fazia todo o sentido estar associada aquele trabalho. Lembro-me da professora e dos colegas de turma olharem para mim com um ar "coitada, deve ter um parafuso a menos" e eu lembro-me de estar orgulhosa por ter conseguido levar uma música da minha banda preferida até uma aula de Português. Lembro-me de ir no carro com os meus pais e a minha avó e de soltar um berro quando vi o João Ribas perto do Miradouro de Santa Luzia. Saí do carro tal e qual uma flecha e qual não foi a minha tristeza quando o vejo a entrar num taxi e a pôr-se a milhas de distância. Mas alguns anos mais tarde tive oportunidade de os conhecer. Ainda me lembro de estar à porta do camarim deles completamente ansiosa. Quando os conheci não cabia em mim de contente, era uma espécie de desejo realizado. Lembro-me de ouvir Tara Perdida todos os dias, lembro-me de saber as letras todas de cor e salteado, lembro-me de comprar as t-shirts e os cds da banda (que hoje guardo religiosamente), lembro-me do moche que fiz nos concertos, lembro-me de subir ao palco e saltar para cima do público e lembro-me de gritar bem alto SOMOS TARA PERDIDA nos concertos da banda. Perdi até a conta a quantos concertos deles eu vi. Lembro-me de ser e continuar a ser feliz a ouvir Tara Perdida. Hoje em dia já não os oiço todos os dias, mas os Tara Perdida vão ser sempre a minha banda preferida. Confesso que hoje, enquanto ouvia algumas das minha músicas preferidas soltei uma lágrima. Na verdade nunca mais vou ver os Tara Perdida com o grande João Ribas, essa lenda do punk português. Para alguns isto não faz sentido, para alguns eu chorar por alguém que não conhecia não faz sentido. Mas eu conhecia-o. Ele era Tara Perdida. Nós SOMOS TARA PERDIDA. Até sempre João Ribas.

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